Primeiro, a luta era para que houvesse um negro nas novelas que não fosse pobre, ladrão, escravo ou vilão. Depois, a luta foi para que houvesse num negro protagonista de uma novela. Em seguida, a luta continuou, agora, para que um negro fosse protagonista da novela mais importante e vista no Brasil, a das 8 (que começa às nove). E, diga-se de passagem, todos esses pleitos são mais do que válidos, dada a representatividade da população negra em nosso país.
Entretanto, agora, a luta parece ser outra. A negra protagonista já não é o bastante para alguns negros racistas disfarçados de integrantes da luta pela igualdade racial. Eles não querem que ela apanhe, não querem vê-la de joelhos, não querem que ela seja submissa em nenhuma hipótese, ainda mais quando estiver contracenando com um branco. Eles desejam uma espécie de habeas corpus racial; querem criar um APARTHEID na nossa teledramaturgia, como apenas um reflexo daquele muito maior e pior que desejam criar em nossa sociedade.
E este governo federal hipócrita e populista já entrou na onda, defendendo a criação de cotas em universidades e concursos públicos para negros e pardos. Parabéns! Criamos assim dois tipos de cidadãos, com dois tipos de direitos diferentes, ainda que convivam num mesmo ambiente. E não se espantem se, em pouco tempo, encontrarem numa universidade ou qualquer outro prédio público, a mesma imagem que vemos acima: a água é incolor, bobagem dividí-la dessa forma!








